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sábado, 11 de julho de 2015

Poema: A Verdadeira Liberdade

Oi, tudo bem? Ultimamente venho pensando o quando precisamos ser livres e que não devemos nos influenciar pelas dores que passamos... E acabei encontrando esse poema lindo que se encaixa, ó:

A Verdadeira Liberdade
A liberdade, sim, a liberdade!
A verdadeira liberdade!
Pensar sem desejos nem convicções.
Ser dono de si mesmo sem influência de romances!
Existir sem Freud nem aeroplanos,
Sem cabarets, nem na alma, sem velocidades, nem no cansaço!

A liberdade do vagar, do pensamento são, do amor às coisas naturais
A liberdade de amar a moral que é preciso dar à vida!
Como o luar quando as nuvens abrem
A grande liberdade cristã da minha infância que rezava
Estende de repente sobre a terra inteira o seu manto de prata para mim...
A liberdade, a lucidez, o raciocínio coerente,
A noção jurídica da alma dos outros como humana,
A alegria de ter estas coisas, e poder outra vez
Gozar os campos sem referência a coisa nenhuma
E beber água como se fosse todos os vinhos do mundo!

Passos todos passinhos de criança...
Sorriso da velha bondosa...
Apertar da mão do amigo [sério?]...
Que vida que tem sido a minha!
Quanto tempo de espera no apeadeiro!
Quanto viver pintado em impresso da vida!

Ah, tenho uma sede sã. Dêem-me a liberdade,
Dêem-ma no púcaro velho de ao pé do pote
Da casa do campo da minha velha infância...
Eu bebia e ele chiava,
Eu era fresco e ele era fresco,
E como eu não tinha nada que me ralasse, era livre.
Que é do púcaro e da inocência?
Que é de quem eu deveria ter sido?
E salvo este desejo de liberdade e de bem e de ar, que é de mim?

Álvaro de Campos, in "Poemas (Inéditos)"
Heterónimo de Fernando Pessoa


Gostaram? Até sábado que vem ♥ 

sábado, 4 de julho de 2015

O Amor


Olá! Tudo bom? Sábado é dia de poemas por aqui, já preparam o coração? Então ó:
O Amor

O AMOR, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
 
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...
Fernando Pessoa


Até sábado que vem! ♥

sábado, 27 de junho de 2015

Poema: Serenata


Olá, tudo bom? Alguém aqui consegue me explicar como a Cecília Meireles fez tantos poemas lindos? É muita coisa pro meu coração. Esse poema diz mais sobre o que estou passando do que os textos enormes que já escrevi e fiz o favor de esconder. Espero que gostem:

Serenata


Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.


Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silêncio,
e a dor é de origem divina.


Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.

Cecília Meireles


Um ótimo final de semana e até sábado que vem ♥

sábado, 9 de maio de 2015

Livro: Poemas de João Cabral de Melo Neto

Oi, hoje não vim trazer nenhum texto e nem mostra um poema e sim mostrar um livro que têm vários...  Como hoje é sabadão e se você for um chato que não gosta de sair como eu que tal ler um montão de poema? Não sei se tem alguém no mundo que deixa de sair pra ficar em casa lendo, por enquanto sigo achando que só eu tenho esse problema.

Enfim, escolhi esse livro porque sei que muitas pessoas que estudam em escolas públicas o ganharam. Algumas pessoas nem olham para o livro que ganha e o arremessa em qualquer lugar, se acaso fez isso, está na hora de procurá-lo.

João Cabral de Melo Neto é considerado um dos maiores poetas da Geração de 45 e fez parte da terceira fase do modernismo falando sobre regionalismo.  Então, já se pode imaginar o quando de poemas bom e importantes que existe nesse livro.

Os meus poemas preferidos desse livro está na parte III que se chama O poeta, prefiro não explicar o porquê hahahahahaha Ah, e não posso me esquecer do Questão de Pontuação que é simplesmente demaaais!


Alguém aqui já leu algum poema de João...? (esses ... são de preguiça mesmo de escrever o resto do nome que só falta o final ser Amém). Se já leu esse livro me conta o que achou, tá? : ) 

Beijoooooos!

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sábado, 4 de abril de 2015

Soneto de Fidelidade


Oi, tudo bom? Não sei vocês, mas fico um pouco chocada quando alguém que nem gosta de poemas/poesias pega uma frase qualquer e coloca em legendas de fotos: só por colocar, porque frases legais geram curtidas sem ao menos gostar do poema de verdade. Nem vamos falar de quem escreve assim: MAAAIS qUe sEJE infinituuh qu4antu dure.


Trouxe esse poema que estão rodando trechos dele pro ai e achei legal vocês conhecerem completinho:

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinicius de Moraes

Gostaram? Nos conte!


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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Não se mate

Olá, tudo bom? Eu sou a Vanessa e vocês já devem ter ligo algum texto meu aqui no blog da Paulinha! Essa semana pensei em algo diferente pra gente se conhecer mais e a melhor maneira de nos tornamos íntimos de alguém é compartilhando coisas que a gente gosta, né? Então, pesando nisso trouxe um poema do Drummond pelo qual sou apaixonada! Ó:



Não se mate

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
Reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.
Não se mate


E ai o que acharam? Do que vocês gostam? Me conte aqui nos comentários :D


Beijãão! 

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